Pessoa desligando vários dispositivos para focar em uma única tarefa em mesa de trabalho organizada

No cenário atual, recebemos estímulos de todos os lados. Muitos de nós acreditamos que lidar com diversas tarefas ao mesmo tempo é sinal de competência. Porém, temos percebido que essa prática pode custar caro à clareza mental e à qualidade das nossas decisões. Ao longo deste artigo, vamos compartilhar porque abandonar o multitarefas não é apenas recomendável, mas, para muitos, se tornou necessário para cultivar presença, discernimento e escolhas mais alinhadas.

O mito do multitarefas e suas armadilhas invisíveis

Durante muito tempo, acreditou-se que conseguir fazer tudo ao mesmo tempo era uma capacidade diferenciada. Porém, nossa vivência mostra que a atenção dividida raramente conduz ao resultado esperado. Quando insistimos em executar várias ações simultâneas, percebemos um padrão de queda da atenção, aumento de distrações e, muitas vezes, um esgotamento sutil que só percebemos quando é tarde demais.

O multitarefas não amplia nossa capacidade, pelo contrário, nos fragmenta.

Entre as armadilhas mais comuns, destacamos:

  • Perda de foco e dificuldade para retomar um raciocínio interrompido constantemente;
  • Esquecimento de detalhes relevantes, levando a retrabalhos frequentes;
  • Sensação de pressa e cansaço, por estar sempre “correndo atrás” de coisas não terminadas;
  • Diminuição do sentido de presença, o que afeta relações e equilíbrio emocional.

Os efeitos neurológicos de dividir a atenção

Na prática, nosso cérebro não realiza múltiplas tarefas de forma genuína: ele alterna o foco rapidamente entre atividades. Cada troca de tarefa exige um novo ajuste, o que consome energia e tempo. Essa alternância leva ao chamado “custo da troca”, tornando o trabalho mentalmente mais desgastante.

Clareza mental exige espaço e presença.

Notamos que as pessoas que praticam o multitarefas por tempo prolongado relatam sintomas como irritação, ansiedade, falhas de memória e, principalmente, dificuldade de priorização. O excesso de alternâncias ativa circuitos cerebrais ligados ao alerta constante, dificultando o relaxamento e a autorregulação emocional.

Cérebro dividido entre várias tarefas

A clareza como resultado intencional

Ao escolhermos mudar, trocando o modo disperso pelo modo consciente, percebemos um aumento na clareza. Assumir uma tarefa por vez nos permite aprofundar, manter linearidade no pensamento e identificar nuances que passariam despercebidas caso estivéssemos divididos.

Clareza não está ligada à quantidade de tarefas realizadas, mas à qualidade da atenção direcionada.

Pessoas que cultivam clareza demonstram mais facilidade para analisar situações, conduzir conversas delicadas e perceber desafios com uma visão mais ampla. Sentem-se mais estáveis perante pressões e costumam experimentar satisfação ao concluir demandas, reforçando uma sensação de ciclo fechado.

Tomada de decisão sob efeito do multitarefas

A tomada de decisão depende da capacidade de observar cenários, avaliar opções e escolher de forma alinhada. No contexto multitarefas, percebemos um comprometimento dessa capacidade pelo simples motivo de que, ao dividir sua atenção, o cérebro tem menos recursos para refletir profundamente e prever consequências.

Diante de escolhas importantes, a presença tornada possível pela atenção plena passa a ser nossa principal aliada. Decisões tomadas com pressa, distração ou sentimento de urgência, tendem a gerar arrependimentos ou retrabalho.

Quem já experimentou momentos em que, ao contrário, concentrou-se totalmente e foi capaz de tomar decisões mais rápidas e acertadas? Isso não é coincidência. É a demonstração de que o foco amplia nossa capacidade de ler, ponderar e agir com propriedade.

Como largar o multitarefas na prática?

Mudança de hábito nunca é fácil, ainda mais quando estamos imersos em contextos que estimulam urgência e resposta imediata. Mas é possível, com atitudes simples e disciplina, reverter essa cultura da pressa. Compartilhamos algumas estratégias que testamos e recomendamos:

  • Defina prioridades do dia, listando as tarefas realmente importantes antes de começar;
  • Divida demandas complexas em pequenas etapas, executando uma de cada vez;
  • Crie intervalos regulares entre execuções diferentes, evitando sobreposição;
  • Mantenha notificações no silencioso, incluindo aplicativos e e-mail em horários-chave;
  • Reserve alguns minutos do dia para parar, respirar e organizar a mente.

Mudar requer consciência e pequenas ações diárias de escolha.

Pessoa concentrada em tarefa única no trabalho

Resultados reais do abandono do multitarefas

Ao coletarmos relatos, observamos transformações claras em quem faz o caminho da presença e da atenção plena. Entre os principais ganhos, estão:

  • Redução da ansiedade cotidiana e sensação de “mente pesada”;
  • Melhoria na qualidade das entregas e dos relacionamentos;
  • Maior satisfação pessoal ao concluir tarefas de fato finalizadas;
  • Ganhos na capacidade de autogestão emocional e maior clareza de prioridades;
  • Confiança restaurada na tomada de decisões, graças ao foco real nas opções disponíveis.

É comum ouvirmos de quem mudou: “Agora sinto que vivo o que faço, em vez de só fazer por fazer”. Pequenas rupturas com o hábito do multitarefas constroem uma vida menos fragmentada e mais alinhada.

Conclusão: presença é um compromisso com si mesmo

Ao reavaliarmos nossa relação com o multitarefas, concluímos que o esforço de presença é, na verdade, um compromisso com nossa lucidez e liberdade de escolha. Escolher fazer menos ao mesmo tempo é abrir espaço para viver mais intensamente cada experiência, sentir cada conversa e dar valor real aos próprios limites.

Na jornada por mais clareza e decisões alinhadas, abrir mão do multitarefas é, na prática, recuperar nossa capacidade de influenciar e transformar a própria realidade. E, nesse processo, percebemos que os resultados são mais sustentáveis, humanos e conectados ao que realmente importa para nós.

Perguntas frequentes

O que é multitarefa no trabalho?

Multitarefa no trabalho é a prática de tentar realizar várias atividades diferentes ao mesmo tempo, alternando rapidamente entre tarefas sem dar atenção plena a nenhuma delas. Isso pode incluir responder e-mails durante reuniões, atender ligações enquanto escreve relatórios ou tentar acompanhar mensagens instantâneas ao mesmo tempo em que executa demandas principais.

Quais os riscos do multitarefas?

Ao nos dividirmos em várias atividades, aumentamos o risco de cometer erros, esquecer detalhes, perder prazos e experimentar sobrecarga mental. Com o tempo, essa prática pode gerar ansiedade, sensação de improdutividade e até comprometer a qualidade das decisões.

Como evitar o multitarefas no dia a dia?

Começamos pelo planejamento. Definir prioridades antes de iniciar o dia já reduz o impulso de alternar entre tarefas. Adotamos listas objetivas e, sempre que possível, concluímos cada tarefa antes de iniciar a próxima. Manter notificações desligadas e reservar intervalos curtos para reorganizar a atenção também favorece o foco.

Multitarefas prejudica a tomada de decisão?

Sim, entendemos que a alternância constante entre atividades diminui a profundidade e clareza necessárias para escolhas acertadas. Quando fragmentamos nossa atenção, ficamos mais propensos a tomar decisões precipitadas ou baseadas apenas em urgências, sem considerar o contexto com a atenção devida.

Vale a pena abandonar o multitarefas?

Sim. Os ganhos percebidos ao optar pela presença superam o hábito de estar em mil lugares ao mesmo tempo. Sentimos mais clareza, maior satisfação ao concluir atividades e vivemos uma redução significativa da ansiedade. Esse é um investimento em equilíbrio mental, qualidade das relações e no poder de realização autêntico.

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Equipe Blog Meditação

Sobre o Autor

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O autor deste blog dedica-se ao estudo e à aplicação da Consciência Marquesiana na vida cotidiana, integrando reflexão teórica, observação sistemática e prática consciente. Tem como missão compartilhar conteúdos que promovam a maturidade da consciência, autorregulação emocional e escolhas éticas. Apaixonado por transformação humana, busca incentivar responsabilidade pessoal, lucidez e a construção de realidades mais sustentáveis e positivas para indivíduos, líderes e comunidades.

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